Em troca, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, apoia a pretensão do Brasil de ocupar vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU
REDAÇÃO ÉPOCA
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Lula e Ahmadinejad no Palácio do Itamaraty, em Brasília. O presidente iraniano disse que o brasileiro é um 'bom amigo'
Lula e Ahmadinejad no Palácio do Itamaraty, em Brasília. O presidente iraniano disse que o brasileiro é um 'bom amigo'
Em seu discurso, Lula disse sonhar com um Oriente Médio livre de armas nucleares, como ocorre na América Latina, e deixou claro que o Irã deve seguir os acordos internacionais, como o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. “Reconhecemos o direito do Irã de desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos e com respeito aos acordos internacionais e esse é o caminho que o Brasil vem trilhando”, afirmou Lula. “Não proliferação e desarmamento nuclear devem andar juntos”, disse.
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Há anos o Irã tenta desenvolver um programa nuclear supostamente pacífico, que teria a medicina e a produção de energia como objetivos principais. O problema é que Teerã jamais conseguiu convencer as potências de que seu programa não tem fins militares. O tom bélico de Ahmadinejad – que prega a destruição de Israel – e os intermináveis jogos de guerra do Irã, em especial os testes com mísseis, tornam ainda mais difícil que o país persa encontre apoio internacional.
Em outubro, Irã, Estados Unidos, França e Rússia acertaram acordo preliminar com algumas medidas que o país teria que cumprir para manter seu programa nuclear. Entre elas estava o envio do urânio (combustível dos reatores) para a Rússia, onde seria enriquecido e devolvido ao Irã. Isso evitaria que Teerã pudesse enriquecer o combustível a um nível que permitisse a construção de armas nucleares, mas o Irã não referendou o chamado acordo de Viena, e mantém seu programa nuclear à revelia das Nações Unidas.
Em troca da manifestação de Lula, Ahmadinejad apoiou a entrada do Brasil como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU. O iraniano afirmou que os países que atualmente têm assento permanente no órgão (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) contribuíram para conflitos no mundo e disse que o poder de veto dessas nações contribuiu para o conselho "fracassar nos últimos 60 anos". “Precisamos elaborar um novo plano, um novo modelo, para gerenciar o futuro do mundo. O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve passar por mudanças fundamentais", afirmou o iraniano.
Ahmadinejad, que foi recebido em Brasília sob protestos de grupos a favor e contra sua visita, disse que Lula era um "bom amigo". "Brasil e Irã são dois países importantes e atuam em duas regiões bastante sensíveis do mundo. O mundo hoje enfrenta desafios de dimensões formidáveis. Tem havido um crescente ceticismo, falácias, e também vemos a continuidade de políticas por nações que desejam manter e continuar seu domínio no mundo", disse. Essa foi a primeira visita oficial de Ahmadinejad ao Brasil.
Brasil e Irã assinaram três acordos: um de cooperação comercial entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Câmara de Comércio e Indústria do Irã; outro de supressão de exigência de visto para passaportes diplomáticos; e um terceiro para estimular o intercâmbio cultural. Lula e Ahmadinejad assinaram também memorandos de cooperação e entendimento nas áreas de Minas e Energia, Ciência e Tecnologia, Comércio Exterior e entre os bancos centrais dos dois países. Foi firmado um convênio entre a Embrapa e a Organização para Pesquisa e Educação e Extensão Agrícola do Irã. E o presidente brasileirou afirmou que haverá uma parceria em projetos de energia elétrica e para levar a "experiência brasileira veículos movidos a gás e etanol" ao Irã.
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